Connect with us

Games

Entrevista com Gustavo Barreto – Criador de Don Capollo, Tinco e Aero

Avatar

Published

on

Cobertura Diversão Offiline SP

A equipe do GamingNews conseguiu uma entrevista com o advogado, mágico, desenvolvedor de jogos de tabuleiro como Tinco e Donn Capollo e sócio da Funbox editora, Gustavo Barreto, paulista de 38 anos e que possuí uma memória incrível. Confira como foi essa entrevista realizada diretamente do estande da Game Vult na 1ª edição do Diversão Offline em São Paulo.

GN: Quando foi o seu primeiro contato com jogos?

GB: Dia 21 de junho de 1985, dia do meu aniversario de 6 anos. Eu havia acabado de acordar, e senti um embrulho embaixo do meu braço. Era um papel colorido. Era um presente!

Abri o embrulho animado, e vi que era uma caixa retangular, um jogo chamado “Einstein”. Na época eu não conhecia  Einstein. Era um jogo abstrato da Grow, que joguei por muitos anos.

GN : Como surgiu esse desejo de se tornar um jogardor?

GB: Eu tinha 10 anos de idade, lembro que não tinha todos os brinquedos que queria, mas tinha que gostava muito que era composto por imãs, esse brinquedo tinha uma base e formávamos umas esculturas nelas, além desse brinquedo eu tinha um que chamava rouba queijo tinha uma base com imã e parecia que o rato andava sozinho. Eu achava aquilo sensacional, foi quando resolvi criar algo parecido, então peguei uma caixa de pizza uma caneta bic, umas tampas de garrafa e um arame de pão pullman e desenhei uma pista de corrida na caixa de pizza e com arame fiz uma cobra. O objetivo do jogo era fazer a cobra percorrer o caminho por volta das tampas sem fazer sem ser capturada pelas tampinhas.

Então apresentei o jogo para meus primos e eles adoram e decidiram apresentar para os meus tios e todos eles começaram a jogar, achei isso incrível e foi o que marcou a minha vida. Ver meus familiares jogando meu jogo foi algo que me marcou muito. Hoje poder criar jogos, resgata essa alegria, essa alegria de levar entretenimento de qualidade para pessoas que nunca vou conhecer e isso é algo extraordinário par mim.

GN:  Qual jogo criado por você é o seu favorito?

GB: Antes de responder a sua pergunta, contarei uma história. Meu avô paterno era arquiteto e trabalhava com construção e revenda de imóveis, e inclusive a casa em que ele vivia foi projetada por ele e um dia perguntaram para ele “Qual parte da sua casa o senhor mais gosta?”. Ele respondeu “a escada”, achei que fosse uma brincadeira e não conseguia entender o que ele quis dizer. Então ele me explicou.

“A escada é simétrica, possuí um bom corrimão, altura e largura perfeita. Um projeto difícil de ser executado e me orgulho muito dele, pois aqui nenhum filho meu se machucou”. Por isso considerava a escada o local da sua casa que ele mais gostava.

O meu jogo predileto e o melhor é um jogo que criei em 2011 e o primeiro a ser publicado, o Aero.  Aero, é um jogo abstrato e têm pouquíssimas regras, eu o explico para qualquer criança em 2 minutos, mas você levará sua vida inteira para dominá-lo.

O Aero Não é o meu jogo mais vendido e nem o mais procurado, mas o Aero é minha “escada”.

Aero - board game - Gustavo barreto - gamingnews

Aero (2011)

GN:  Qual jogo marcou a sua vida?

GB: Vários jogos marcaram por motivos diferentes, o xadrez marcou muito, cheguei a jogar pela faculdade, o Einstein e Abstrato da Grown também marcaram demais, o Aero por ter sido o meu primeiro publicado, o Donn Capollo  que foi meu primeiro na Devir, o primeiro nacional publicado em 28 anos de empresa e abriu a porta para muitas coisas. O Tinco que foi o primeiro jogo aprovado por uma editora internacional. Tem muitos jogos que marcaram não só pela beleza da criação e sim por me inspirarem e emocionaram demais.

Gosto muito de jogos que criaram mecânicas, como, Dominion, Gamão, que inclusive é o meu preferido no momento e o que mais tenho jogado, para mim é uma metáfora da vida. Também acho  Agrícola, Porto Rico e Terra Mística incríveis.

Alguns em especiais são esses, mas eu gosto sempre de me surpreender com novas culturas, novas mecânicas. Para mim a beleza dos boardgames é essa.

Einstein da Grow (1980)

GN: Como é a sua rotina de jogador? Joga toda semana? Todo dia?

GB: Eu jogo todas as vezes que eu consigo (risos)

GN: Fora jogar, tem alguma outra coisa que gosta de fazer?

GB: Eu sou advogado e amo o que faço, trabalhei com mágica profissionalmente por 13 anos, representei o Brasil no mundial de Portugal, e escrevi um livro de mágicas chamado “Pegue uma Carta”, dei esse nome porque foi a primeira fase que ouvi de um mágico que me apresentou um mundo novo e de certa forma, tudo isso é um jogo, tanto que no espanhol chama-se “juego de magica”.

Assim como a mágica é um jogo, ser advogado de certa forma tem muitos elementos de um jogo. Temos estratégia, perdedor, vencedor, regras que não podem ser infligidas é uma estrutura muito semelhante com um jogo do que qualquer outra profissão.

De certa forma  um bom advogado é um bom jogador, eu tenho essa premissa.

Pegue uma Carta (2004)

GN: Como você enxerga o cenário de antes, o cenário de hoje, e que espera do cenário de boardgame no futuro no Brasil?

GB: Em 2011 as editoras e lojas da época se juntaram para fazer a primeira BGCON do Brasil, esse evento foi dentro da RPGCON, evento de RPG.  Nós fizemos brindes para esse evento, chamamos autores com protótipos e foi nesse evento que lancei os meus jogos Aero e Tinco e o jogo que depois virou Dark City, que vai ser publicado pela Devir.

Tinco (Devir)

Esse evento foi bem pequeno, tínhamos 2 salas, pouca estrutura , sem microfone e com poucos pessoas, mas foi ali que assumimos um compromisso com os presentes e com todo o público, assumimos o compromisso de revolucionar o mercado de boardgames brasileiro.

Nós ainda estamos comprometidos com esse compromisso e o evento de hoje é o espelho do evento de 2011. Em 2011 foram lançados mais jogos que nos últimos 30 anos no Brasil e os números estão crescendo após isso, cada vez mais temos mais desenvolvedores, editoras e jogadores no mundo.  Em pouco tempo o Brasil será um pólo de fonte de jogos de qualidade a nível internacional, hoje não é o que vai ser ainda. O mercado de boardgames cresceu mais de 30% no mundo, estamos em um país que vende um War a cada 7 minutos e os jogadores que conhecem não considera ele o melhor dos jogos.

A gente tem feito hoje um trabalho de criação e divulgação para apresentar para o público e trazer a nova geração para o hobby, o boardgame ele une gerações, através dos boardgames você reúne os avós com os netos, os pais e mães com os filhos e poucos hobbys no mundo possuem essa característica e proporcionam entretenimento com tanta qualidade, o pessoal passa a noite inteira se divertindo e dando risada e isso será cada vez mais buscado, será cada vez mais sustentável, tem um retorno legal para os desenvolvedores e a galera ta cada vez mais profissional. E o brasileiro é um povo positivo, pra cima, que enfrenta qualquer crise e dificuldade com criatividade e isso é reconhecido no mundo inteiro e nossos jogos reproduzem isso, os nossos jogos são alegres e felizes e felicidade e alegria combinam muito com boardgame. Hoje temos o American Game, Euro Game e em pouco tempo a gente quer criar o Brazilian Game, para o pessoal chegar e olhar “esse jogo não é americano, não é europeu ele não se encaixa nessa classificação”. Quando você vê um jogo japonês aquela coisa minimalista com pouco componente legal pra caramba, você sabe que é um jogo japonês, quando você vê um jogo africano, aquele jogo ancestral e belíssimo jogado a 7 mil anos atrás com sementes em cima da terra, você sabe que é um jogo africano.

O que nós queremos criar é uma nova escola, uma escola de jogos brasileiros que não se encaixa nessa estrutura, não vai se encaixar nessa definição, ele é divertido demais para você chamar de euro game e american game! A nossa busca é essa, de criar uma nova categoria de jogos para as pessoas falarem “só um jogo brasileiro para trazer essa alegria na mesa”.

GN: O que você espera do Gustavo daqui 20 anos?

GB: Eu espero um cara tão feliz como eu sou hoje.

GN: Como você enxerga a importância desses eventos para o cenário de boardgame?

GB: O hobby só cresce por conta dos eventos, são através dos eventos que nós conseguimos trazer um novo público, novas pessoas, apresentar novos jogos e autores, promover as coisa. O boardgame precisa disso, aqui as pessoas podem testar jogos, tirar dúvidas de regras e mecânicas com os instrutores. Temos editoras, divulgadores e depois esse trabalho é mantido através das redes sociais e grupos, mas o primeiro contato de muita gente é no evento e nesse contato a pessoa se identifica com o público, temática agradável e positiva, já que o boardgame é de fato acolhedor. Podemos ter um evento de boardgame dentro de qualquer outro evento  “basta ter pessoas”, a idéia em pouco tempo todo evento ter uma área de boardgame, para as pessoas interagirem e até mesmo descansarem um pouco.

GN: Como os jogos ajudam as pessoas?

GB: São diversas competências a serem melhoradas, a Devir em todos os jogos infantis faz um laudo com uma Neuropsicopedagoga, que fala quais as áreas do cérebro ela desenvolve, o quanto aquela pessoa será melhor e vai enfrentar os desafios da vida.

Grandes estrategistas, empresários e etc começaram o planejamento estratégico com o xadrez e depois passaram isso para todas as áreas do empreendedorismo. Realmente os jogos fazem as pessoas melhores e essas pessoas melhores fazem um mundo melhor!

Gostou da nossa entrevista? Então fique por dentro das nossas redes sociais e confira o que GN está preparando para você!

Comments

comments

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Games

Games brasileiros ganham destaque no Xbox e mostram força crescente da indústria nacional

Pandora Nana

Published

on

Durante muito tempo, o Brasil foi visto apenas como um enorme mercado consumidor de videogames. Hoje, porém, esse cenário está mudando rapidamente. Os estúdios nacionais vêm conquistando espaço internacional, aparecendo em grandes eventos globais e entrando cada vez mais forte no ecossistema do Xbox. E maio de 2026 mostrou exatamente isso.

Nos últimos dias, jogos brasileiros ganharam destaque dentro do Xbox com lançamentos no Game Pass, anúncios durante a gamescom latam e presença no programa ID@Xbox, iniciativa voltada para apoiar desenvolvedores independentes ao redor do mundo.

Mais do que apenas notícias isoladas, esses movimentos mostram um amadurecimento importante da indústria nacional. O Brasil começa a deixar de ser apenas consumidor para se tornar também exportador de experiências criativas, jogos autorais e narrativas próprias.

Entre os destaques do mês estão Motorslice, RoadOut e Black Sailor: Bay of All Saints — três produções muito diferentes entre si, mas que ajudam a mostrar a diversidade e a ambição dos desenvolvedores brasileiros atualmente.


Games brasileiros estão conquistando espaço dentro do Xbox

O crescimento da indústria brasileira de games já vinha acontecendo há alguns anos, mas recentemente ele começou a ganhar uma visibilidade muito maior dentro das grandes plataformas internacionais.

A presença crescente de jogos nacionais no Xbox mostra justamente isso. Seja através do Game Pass, do programa ID@Xbox ou de eventos como a gamescom latam, os estúdios brasileiros começam a ocupar espaços antes dominados quase exclusivamente por produções norte-americanas, europeias e japonesas.

E o mais interessante é perceber como os projetos nacionais estão cada vez mais diversos. Hoje, o Brasil não produz apenas jogos mobile ou experiências menores. Os estúdios locais vêm apostando em:

  • RPGs ambiciosos
  • jogos de ação
  • experiências narrativas
  • títulos estratégicos
  • mundos pós-apocalípticos
  • ficção científica
  • estética autoral

Tudo isso ajuda a consolidar uma identidade própria para o mercado brasileiro.

Além disso, o crescimento do cenário indie global abriu espaço para produções mais criativas e experimentais. Plataformas como Xbox passaram a enxergar valor justamente em jogos menores, mas com forte identidade artística e propostas diferentes do padrão AAA tradicional.


Motorslice mostra como os indies brasileiros estão ganhando força

Um dos maiores destaques recentes é Motorslice, jogo desenvolvido por dois irmãos brasileiros e que chegou diretamente ao catálogo do Xbox Game Pass.

A proposta mistura ação, aventura e parkour em um cenário brutalista cheio de megaconstruções gigantescas. No controle da personagem “Slicer P”, os jogadores precisam explorar estruturas enormes, escalar chefes colossais e enfrentar criaturas ligadas a equipamentos de construção vivos.

Visualmente, o jogo chama atenção justamente por sua estética diferente. A arquitetura brutalista cria uma atmosfera pesada, industrial e quase opressiva, algo que ajuda a destacar o game dentro do catálogo do Xbox.

O lançamento no Game Pass também representa um passo importante para qualquer estúdio independente. Estar disponível no serviço significa alcançar milhões de jogadores instantaneamente, aumentando enormemente a visibilidade do projeto.

Nos últimos anos, o Game Pass se tornou uma das maiores vitrines para jogos indies do mercado. E para estúdios brasileiros, isso pode significar não apenas reconhecimento internacional, mas também oportunidades de expansão, novos investimentos e fortalecimento da cena nacional.


RoadOut aposta em RPG pós-apocalíptico e exploração

Outro título brasileiro que ganhou destaque no Xbox foi RoadOut, RPG de ação e aventura lançado em maio para Xbox Series X|S.

O game aposta em um mundo pós-apocalíptico onde exploração e sobrevivência são elementos centrais da experiência. Os jogadores atravessam cenários devastados utilizando veículos, enquanto também precisam enfrentar combates a pé dentro de masmorras repletas de puzzles e desafios.

A proposta lembra algumas influências bastante conhecidas do público geek, como:

  • Fallout
  • Mad Max: Fury Road
  • Death Stranding

Mas o interessante é perceber como RoadOut tenta criar sua própria identidade dentro desse gênero.

Esse tipo de projeto também mostra como os estúdios brasileiros estão se tornando mais ambiciosos tecnicamente. Produzir um RPG de exploração com veículos, combate e estrutura aberta exige um nível de desenvolvimento muito mais complexo do que produções independentes tradicionais.

Isso demonstra um amadurecimento importante do setor nacional.


Black Sailor usa a história do Brasil como inspiração

Talvez o projeto mais interessante do ponto de vista narrativo seja Black Sailor: Bay of All Saints, destaque brasileiro apresentado pelo programa ID@Xbox durante a gamescom latam 2026.

O jogo aposta em estratégia naval tática por turnos ambientada na Baía de Todos os Santos durante o Brasil colonial do século XVIII. A proposta acompanha pessoas anteriormente escravizadas que lideram uma revolta, tomam um navio negreiro e passam a atuar como piratas lutando pela própria liberdade.

A temática chama atenção justamente por utilizar elementos históricos brasileiros dentro de um gênero pouco explorado no país.

Durante muitos anos, grande parte dos jogos brasileiros tentava reproduzir cenários genéricos inspirados em produções internacionais. Agora, diversos estúdios começam a perceber que utilizar identidade cultural própria pode ser justamente o diferencial mais forte de seus projetos.

Black Sailor parece seguir exatamente essa tendência.

Além disso, o fato de o game ter sido destacado pelo ID@Xbox mostra como existe interesse crescente por experiências diferentes e culturalmente específicas dentro do mercado global.


O Brasil vive um dos momentos mais interessantes da sua indústria gamer

O cenário brasileiro de games passou anos enfrentando dificuldades estruturais, falta de investimento e pouca visibilidade internacional. Mesmo assim, os estúdios nacionais continuaram crescendo, aprendendo e construindo espaço dentro da indústria global.

Hoje, o resultado começa a aparecer de maneira muito mais evidente.

Eventos como a gamescom latam ajudam a fortalecer o mercado regional, enquanto programas como o ID@Xbox criam oportunidades reais para desenvolvedores independentes alcançarem novos públicos.

Além disso, o crescimento dos jogos independentes no mundo inteiro ajudou a mudar a lógica do mercado. Nem todo sucesso precisa competir diretamente com gigantes bilionários. Muitas vezes, criatividade, direção artística forte e identidade própria conseguem chamar muito mais atenção.

E talvez seja justamente aí que os games brasileiros estejam encontrando sua força.

Ao invés de apenas tentar copiar tendências internacionais, muitos estúdios nacionais começam a apostar em propostas autorais, temas culturais diferentes e estilos visuais únicos.


Xbox reforça aposta em diversidade e novos mercados

A presença crescente de jogos brasileiros dentro do Xbox também mostra uma mudança importante na própria estratégia da plataforma.

Nos últimos anos, a Microsoft passou a investir cada vez mais em:

  • jogos independentes
  • novos mercados
  • diversidade cultural
  • experiências autorais

O programa ID@Xbox se tornou peça fundamental nisso tudo, permitindo que pequenos estúdios tenham acesso a ferramentas, distribuição e visibilidade internacional.

Para países como o Brasil, isso cria oportunidades gigantescas.

A indústria nacional ainda enfrenta desafios, mas o momento atual mostra que o mercado brasileiro finalmente começa a ocupar um espaço mais relevante dentro do cenário global de games.

E se maio de 2026 serviu como indicativo de alguma coisa, é que os próximos anos podem colocar ainda mais jogos brasileiros no radar internacional.

Agora resta saber: qual será o próximo game nacional a virar fenômeno mundial?

E aí, qual jogo brasileiro mais merece reconhecimento global na sua opinião? Para mais conteúdos sobre games, cultura geek e indústria gamer brasileira, acompanhe também meu Instagram: @pandora.nana

Comments

comments

Continue Reading

eSports

Nobru participa do Favela Gaming e leva tecnologia, games e oportunidades para periferias

Pandora Nana

Published

on

O universo gamer brasileiro já deixou de ser apenas entretenimento há muito tempo. Hoje, ele movimenta carreiras, influencia a cultura pop, cria negócios milionários e abre portas para milhares de jovens que enxergam nos games uma oportunidade de transformar suas vidas. E poucos nomes representam isso tão bem quanto Nobru.

O influenciador e campeão mundial de Free Fire participa, neste mês, da nova temporada do Lab Móvel, iniciativa do Favela Gaming que leva tecnologia, aprendizado e oportunidades para comunidades brasileiras. Mais do que um evento gamer, o projeto se tornou um símbolo de como os esports e a inclusão digital podem impactar diretamente a realidade das periferias.

Com ações em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o Lab Móvel reforça uma tendência cada vez mais evidente: o futuro da indústria gamer brasileira passa pelas comunidades.


Nobru e Favela Gaming: quando os games se tornam ferramenta de transformação

A participação de Nobru no projeto carrega um peso simbólico importante. O influenciador conhece de perto a realidade das periferias e frequentemente usa sua própria trajetória como exemplo de como os games podem abrir caminhos antes considerados impossíveis.

Durante sua participação no Lab Móvel, em Jardim Peri, na zona norte de São Paulo, Nobru destacou justamente a importância do acesso. Segundo ele, talento sempre existiu nas quebradas, mas faltavam oportunidades reais para transformar potencial em carreira. Essa conexão direta com o público é um dos motivos que fazem o criador de conteúdo ser tão relevante dentro e fora do cenário competitivo.

O Favela Gaming nasceu da parceria entre Final Level Co, YouTube Gaming e Gerando Falcões, com o objetivo de democratizar o acesso à indústria dos games e da tecnologia. Em três anos, o projeto já impactou mais de 60 mil jovens e suas famílias, oferecendo aulas, capacitação e experiências ligadas ao universo gamer.

E o mais interessante é que a iniciativa vai muito além do entretenimento. O projeto utiliza os games como porta de entrada para discutir educação digital, mercado de trabalho, empreendedorismo e novas profissões ligadas à economia criativa.


A periferia se tornou uma potência dentro do cenário gamer brasileiro

Durante muito tempo, o mercado de games no Brasil parecia distante da realidade das periferias. Consoles caros, computadores de alto desempenho e internet limitada criavam barreiras enormes para boa parte dos jovens brasileiros. Mas isso começou a mudar com o crescimento dos jogos mobile.

Fenômenos como Free Fire ajudaram a democratizar o acesso aos esports no país. Bastava um celular simples para entrar em partidas competitivas, consumir conteúdo gamer e fazer parte da comunidade online. O resultado foi uma explosão cultural que transformou o cenário brasileiro.

Foi justamente nesse contexto que Nobru surgiu como um dos maiores nomes dos esports nacionais. Sua trajetória saiu das comunidades e alcançou o topo do cenário competitivo mundial, transformando o influenciador em uma referência para milhões de jovens que se enxergam em sua história.

Hoje, o impacto das periferias dentro da cultura gamer brasileira é impossível de ignorar. Streamers, pro players, criadores de conteúdo e influenciadores vindos das comunidades dominam audiência, engajamento e tendências nas redes sociais. O universo geek brasileiro ficou mais diverso, mais acessível e muito mais conectado com a realidade da juventude periférica.


Lab Móvel mistura games, tecnologia e Inteligência Artificial

Um dos pontos mais interessantes do Lab Móvel é justamente a combinação entre entretenimento e formação profissional. O projeto leva para as comunidades uma estrutura completa com computadores gamers, PlayStation 5, área mobile, mini torneios de Free Fire e experiências voltadas ao universo digital.

Mas o foco não está apenas em jogar. A proposta também inclui oficinas de Inteligência Artificial, letramento digital e bate-papos com profissionais da indústria gamer e tecnológica. Essa mistura mostra como o setor de games deixou de ser apenas lazer e passou a funcionar como um verdadeiro ecossistema profissional.

Para muitos jovens participantes, o contato com IA, programação, produção audiovisual ou criação de conteúdo acontece pela primeira vez dentro desse tipo de iniciativa. Isso cria novas perspectivas de carreira e amplia horizontes profissionais para além do sonho de se tornar jogador competitivo.

Outro ponto importante é que projetos como esse ajudam a reduzir uma barreira histórica: o acesso à tecnologia. Em um cenário onde a transformação digital acontece cada vez mais rápido, oferecer esse contato prático com ferramentas modernas pode fazer diferença real no futuro desses jovens.


O mercado gamer virou uma porta de entrada para novas profissões

A indústria dos games já movimenta bilhões ao redor do mundo e segue crescendo ano após ano. No Brasil, o setor se tornou uma das áreas mais promissoras da economia digital, impulsionando carreiras que vão muito além dos campeonatos de esports.

Hoje, o ecossistema gamer envolve diversas profissões:

  • streamers
  • editores de vídeo
  • designers
  • programadores
  • narradores de campeonatos
  • social media
  • desenvolvedores
  • produtores de eventos
  • influenciadores digitais

Isso significa que jovens das periferias podem encontrar diferentes caminhos dentro desse mercado. E o mais importante: muitos deles já começam consumindo games diariamente, o que cria uma conexão natural com o setor.

O próprio Favela Gaming aposta nessa visão mais ampla da indústria. A iniciativa atua nos pilares educacional, competitivo e sociocultural, mostrando que os games podem funcionar tanto como entretenimento quanto como ferramenta de inclusão econômica.

Além disso, a ascensão de criadores de conteúdo vindos das comunidades reforça uma mudança importante na cultura digital brasileira. O público não quer apenas grandes celebridades inalcançáveis: ele busca pessoas reais, com histórias próximas da sua realidade.


Nobru ultrapassou os esports e virou referência cultural

Embora tenha ficado conhecido mundialmente por sua trajetória no Free Fire, Nobru já ultrapassou há muito tempo o papel de pro player. Hoje, ele é empresário, influenciador, criador de conteúdo e uma das figuras mais relevantes do entretenimento gamer nacional.

Além de ser cofundador da organização Fluxo, Nobru também atua em diferentes empreendimentos ligados ao universo digital e ao lifestyle. Sua presença nas redes sociais ultrapassa 36 milhões de seguidores, consolidando seu alcance muito além da comunidade gamer.

O reconhecimento também chegou ao mercado tradicional. A presença do influenciador na lista Forbes Under 30 mostra como os games passaram a ocupar um espaço relevante dentro da economia criativa brasileira.

Mas talvez o principal diferencial de Nobru seja justamente sua autenticidade. Ele continua conectado às suas origens e frequentemente utiliza sua influência para incentivar jovens periféricos a acreditarem no próprio potencial.

Essa identificação ajuda a explicar por que sua participação no Favela Gaming gera tanto impacto. Para muitos jovens, ele representa a prova concreta de que é possível transformar games em carreira, oportunidade e mudança de vida.


O futuro dos games no Brasil passa pelas periferias

Durante anos, o mercado gamer brasileiro focou principalmente no consumo. Agora, o cenário começa a mudar. As periferias estão deixando de ser apenas audiência e passando a ocupar espaço como protagonistas da indústria.

Projetos como o Favela Gaming ajudam a acelerar esse movimento ao conectar juventudes periféricas com tecnologia, capacitação e oportunidades concretas dentro da nova economia digital.

O crescimento do mobile gaming, dos criadores de conteúdo independentes e da cultura dos esports mostra que o acesso aos games nunca foi tão democrático. E isso cria espaço para revelar novos talentos em diferentes áreas do setor.

Mais do que formar jogadores profissionais, iniciativas como o Lab Móvel ajudam a construir autoestima, ampliar repertório digital e criar possibilidades de futuro para jovens que muitas vezes não tiveram acesso a esse universo.

No fim das contas, talvez esse seja o maior impacto dos games atualmente: não apenas divertir, mas também transformar vidas.

E aí, você acredita que os games podem mudar o futuro das periferias brasileiras? Me conta sua opinião e aproveita para acompanhar mais conteúdos sobre cultura gamer, esports e universo geek no meu Instagram: @pandora.nana

Comments

comments

Continue Reading

Games

PlayMinas Inaugura Calendário de 2026 em Venda Nova Unindo Educação e Tecnologia

Pandora Nana

Published

on

O ano de 2026 começa com um impulso renovado para a cultura gamer em Minas Gerais. Nos dias 26 e 27 de janeiro, o projeto itinerante PlayMinas desembarca na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, ocupando a Escola Municipal Padre Marzano Matias. A iniciativa, que já se consolidou como um marco na integração entre tecnologia e ensino, busca transformar o ambiente escolar em um polo de inovação digital e protagonismo estudantil.

Promovido pela Codemge e pelo Governo de Minas Gerais, em parceria com a Sedese e o Instituto Novare, o evento democratiza o acesso a ferramentas que, antes, eram vistas apenas como entretenimento. Ao colocar a cultura gamer no centro do debate pedagógico, o PlayMinas permite que jovens da rede pública visualizem novas trajetórias profissionais e desenvolvam habilidades essenciais para o século XXI, como o raciocínio lógico e a colaboração.


A Gamificação como Ferramenta de Aprendizado nas Escolas

A proposta do PlayMinas em Venda Nova vai muito além das telas. O projeto utiliza os jogos digitais como um eixo central para o desenvolvimento do pensamento crítico. Ao participar de oficinas e experiências interativas, os alunos são incentivados a compreender a lógica por trás dos códigos e das narrativas, transformando o consumo passivo de mídia em uma postura ativa de criação e descoberta.

Nesse contexto, a cultura gamer é apresentada como uma linguagem educacional poderosa. Professores e alunos têm a oportunidade de explorar como os elementos dos games — como sistemas de recompensa, superação de desafios e narrativa — podem ser transpostos para o currículo escolar. Essa abordagem pedagógica moderna ajuda a manter o engajamento estudantil e prepara os jovens para lidar com as complexidades do mundo digital de forma consciente e responsável.

Além disso, a estrutura montada na Escola Municipal Padre Marzano Matias funciona como um laboratório vivo. Durante os dois dias de atividades, o ambiente escolar é ressignificado, permitindo que a experimentação tecnológica ocorra de forma segura e inclusiva. O objetivo é que o conhecimento adquirido não se limite aos dias do evento, mas plante sementes de curiosidade técnica e artística na comunidade local.

Economia Criativa e o Futuro Profissional em Minas Gerais

O PlayMinas também atua como uma vitrine para a pujante economia criativa do estado. Minas Gerais tem se destacado no cenário nacional pela produção de conteúdo e pelo desenvolvimento de softwares, e o evento em Venda Nova serve para mostrar aos jovens que a cultura gamer é uma indústria viável e lucrativa. O contato direto com profissionais da área abre horizontes para carreiras em design, programação, roteirização e gestão de projetos digitais.

A descentralização das ações é um ponto fundamental dessa estratégia. Ao levar o projeto para bairros fora do eixo central de Belo Horizonte, o governo estadual garante que talentos locais sejam descobertos e valorizados. A ideia é criar uma rede de inovação que abrace todas as regiões, preparando o terreno para o Game Fest Minas, o grande evento que consolidará o estado como uma referência absoluta no setor ao final do ano.

Para os empreendedores e comunidades locais, a etapa de Venda Nova representa uma chance de entender as novas demandas do mercado. A valorização da sustentabilidade e do uso ético da tecnologia são pilares que acompanham cada oficina, reforçando que o crescimento da cultura gamer deve caminhar lado a lado com a responsabilidade social. Assim, o projeto constrói uma base sólida para que o futuro digital mineiro seja não apenas inovador, mas também humano e equitativo.

Para ficar por dentro de todas as novidades sobre tecnologia, eventos e as próximas etapas deste circuito, não deixe de acompanhar meu Instagram: https://www.instagram.com/pandora.nana/

Comments

comments

Continue Reading
Advertisement

Veja também

Advertisement

%d blogueiros gostam disto: